quinta-feira, dezembro 11

Moção da Flaskô à fábrica ocupada nos EUA

Nós, trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô, do Movimento das Fábricas Ocupadas do Brasil, tomamos conhecimento da brava luta dos companheiros da fábrica Republic Window & Door de Chicago que ocuparam a planta da fábrica exigindo o pagamento dos salários atrasados e indenizações que deve a empresa. Nós sabemos que por toda a parte esta é a política dos patrões, inclusive nos EUA mesmo, como vossa própria luta o demonstra.
É um passo fundamental a retomada das heróicas lutas do proletariado norte-americano que sabe que pode contar com toda a solidariedade dos trabalhadores do Movimento das Fábricas Ocupadas no Brasil.
Sabemos que depois de anos de lucros e mais lucros os patrões agora jogam nas costas dos trabalhadores a sujeira da sua farra. Não aceitaremos, e vossa luta nos dá muita força para continuar resistindo aqui na Flaskô como um exemplo de luta.
Há 5 anos resistimos à tentativa do patrão de fechar a fábrica, como vocês, ocupamos a fábrica, iniciamos a produção sob o controle democrático dos trabalhadores.
Neste sábado vamos realizar um grande encontro no qual informaremos ao conjunto dos participantes sobre a situação nos EUA e sobre vossa luta, contem conosco.

Uma ofensa a um é uma ofensa para todos!

Pedro Santinho
Coordenador do Conselho da Flaskô
Movimento das Fábricas Ocupadas

Venezuela: trabalhadores da VIVEX ocupam fábrica e exigem sua nacionalização!

Por Jorge Martin


Chávez lançou um apelo para que os trabalhadores ocupassem as empresas que tinham problemas para pagar os salários e demais direitos. Os trabalhadores da Vivex deram o primeiro passo.


Os trabalhadores da VIVEX novamente estão em luta. Na Sexta-Feira, 21 de Novembro, como parte de uma luta prolongada, 360 trabalhadores da VIVEX ocuparam a fábrica no distrito industrial de Los Montones em Barcelona, no estado de Anzoategui. (Venezuela). A fábrica produz vidros para a indústria automobilística e os trabalhadores estão pedindo ao presidente Chávez que a nacionalize.


A principal razão para ocupar a fábrica foi o não pagamento dos abonos (prêmios por produtividade) que estão incluídos no acordo de negociação coletiva. Segundo os dirigentes sindicais José Angel Hall, Darwin Wilche e Pablo Cumana: "a empresa disse que está em quebra e se nega a pagar os 120 dias de abono aos quais os trabalhadores têm direito". A empresa disse aos trabalhadores que lhes pagaria 15 dias, os trabalhadores responderam que a empresa devia tornar público seus livros de contas para comprovar se realmente tivera perdas ou não.


O secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores da Vivex (Sintravivex), Jean Sabino, informou que os trabalhadores haviam "ocupado o controle de operações da empresa porque o pessoal administrativo ausentara-se voluntariamente". O dirigente assinalou que os trabalhadores continuam trabalhando normalmente, porém não poderia garantir a distribuição de produtos acabados até que a situação legal da empresa não esteja clara.

A fábrica Vivex tem funcionado, durante a maior parte do ano, em apenas 50% de sua capacidade, utilizando a desculpa de que lhe falta acesso a uma moeda forte para comprar matérias primas. Isso provocou um efeito negativo em outras empresas automobilísticas, reduzindo a linha de produção, particularmente na Toyota e Mitsubishi (MMC).


O secretário geral do sindicato de trabalhadores da MMC, Félix Martínez, rechaçou as declarações de que a empresa está em bancarrota: "Somente neste ano foram fechadas seis empresas de componentes automotivos e foram reabertas pelos mesmos proprietários como 'cooperativas', esse é o meio para romper os contratos com os trabalhadores". Também demonstrou seu apoio aos trabalhadores da Vivex e advertiu a MMC de que ela não poderia adotar medidas similares contra seus próprios trabalhadores. O dirigente do Sintravivex, Jean Sabino, explicou que os trabalhadores estão "exigindo a intervenção do Estado para que possamos seguir produzindo com normalidade, porém sob controle operário".


No dia 26 de Novembro, o coordenador regional do Ministério do Trabalho, Alí Vélez, tentou entrar na empresa com os representantes da mesma, com a intenção de realizar reuniões. José Ángel Santoyo, um dos trabalhadores que participa da ocupação explicou que: "não aceitamos que eles entrassem porque não confiamos em Vélez, sabemos que está mancomunado com a empresa e não seria a primeira vez que iniciaria uma reunião de conciliação e depois a abandonaria". Insistiu que eles somente falariam diretamente com o Ministro do Trabalho, Roberto Hernández.


No dia 1º de Dezembro, Segunda-Feira, os trabalhadores marcharam até a Assembléia Legislativa Estadual, onde se reuniram com uma delegação de deputados estaduais convidando-os para que se dirigissem a todos os deputados estaduais no dia 4 de Dezembro, Quinta-Feira. "Nós entregamos um informe detalhado para o presidente Chávez", dizia um representante dos trabalhadores, José Ángel Hall, "explicando todos os abusos dos proprietários que participaram na conspiração do lockout patronal petroleiro e agora fazem o mesmo com os trabalhadores".


Durante a manifestação, o secretário geral do sindicato, Jean Carlos Sabino, mencionou a declaração de Chávez de que as "empresas que rompam os direitos dos trabalhadores ou não lhes paguem, deveriam ser expropriadas", pediu ao governo nacional que atuasse imediatamente. Acrescentou que o conflito já não era simplesmente por questões trabalhistas e que os trabalhadores "decidiram ir mais adiante que isso: estamos exigindo a expropriação da empresa, que seja nacionalizada sob gestão e controle operário".


Com a desculpa de "garantir o direito ao trabalho" aos trabalhadores dos escritórios e pessoal da direção, a empresa havia pedido para um tribunal que lhe fosse permitida a entrada na fábrica. Porém, na Quarta-Feira, 3 de Dezembro, os trabalhadores da Vivex impediram o pessoal da justiça e da polícia, que eles entrassem na fábrica e que rompessem os cadeados.


Agitação na indústria automobilística


A situação em toda a indústria automobilística é de agitação. Na Quarta-Feira passada, os trabalhadores da OCI Metalmecânica, em Valencia (estado de Carabobo), deixaram de trabalhar meio dia de trabalho para protestar contra a ruptura unilateral dos acordos de trabalho, por parte da empresa. Gustavo Martinez, secretário geral do Sutrafauto sindicato dos trabalhadores nesta empresa que fabrica tanques de combustíveis, na sua maioria para a Chrysler, declarou que a empresa não pagou as horas extras de novembro, quando deveria tê-lo feito. Avisou que, se na Segunda-Feira, 1º de dezembro, não pagarem as extras, os trabalhadores paralisarão a produção.


Os trabalhadores da fábrica Toyota, em Cumaná, Estado de Sucre, também protestaram contra a decisão unilateral da empresa de colocar um de seus turnos de trabalho em férias não remuneradas. Argenis Vazques, um dos dirigentes do sindicato Sintratoyota, disse que esta medida não teria nada que ver com os problemas da Vivex, como alegava a empresa, senão que teria que ver com a superprodução: "O pátio da empresa está cheio de carros montados, a empresa tenta reduzir o estoque e quer que se danem os trabalhadores". Vasquez explicou que o gerente da empresa havia impedido sem razão alguma que o assessor do sindicato entrasse na fábrica. "Não podemos permitir que isso ocorra" disse ele. Ao final a Toyota aceitou não colocar ninguém de férias.


Na fábrica da Ford, também em Valencia, os trabalhadores também estão protestando porque a empresa quer romper o acordo coletivo e não permitir que trabalhadores acrescentem seus dias livres às férias. O representante do Sintraford, sindicato local, Juan Aguilar, no dia 3 de Dezembro, disse que se não resolvessem o problema imediatamente convocariam a greve.


Os conflitos na indústria automobilística na Venezuela estão inseridos no contexto do "PLAN VENEZUELA MOVIL", um acordo entre o governo e as empresas automobilísticas introduzido em 2005. O objetivo do plano era desenvolver a indústria automobilística venezuelana (baseado principalmente na montagem de componentes produzidos em outros locais), para permitir aos consumidores ter acesso e comprar carros a um preço razoável e com boas condições de financiamento e, deste modo, seriam criados mais empregos. O plano consistia na isenção de impostos para a venda de carros e também para as empresas que se comprometessem a aumentar a porcentagem de peças produzidas no país para determinados modelos inseridos nesse plano.


"Venezuela Móvil", como explicam os dirigentes sindicais, realmente foi um desastre completo. Apesar do aumento da demanda de automóveis na Venezuela, as empresas se negam constantemente a investir em sua capacitação. Somente aproximadamente 10% dos automóveis vendidos em 2007 na Venezuela foram fabricados no país, os demais foram importados ou na maioria têm seus componentes importados. Os dirigentes sindicais do setor denunciaram também que, apesar das empresas terem ganhado mais ou menos 600.000 bolívares fortes pela isenção de impostos, estas empresas estão constantemente rompendo os acordos das negociações coletivas.


Eduardo Samán, do serviço de arrecadação de impostos SENIAT, tem denunciado em diversas ocasiões os exemplos de empresas que, burlando os termos do acordo Venezuela Movil, vendem os carros a preços mais elevados. Eduardo Samán afirma que "somente com a incorporação dos representantes dos trabalhadores no controle dos livros de contas" é que se pode solucionar a situação.


Esta situação demonstra a natureza parasitária do capitalismo. Como assinalava Rubén Linares, dirigente da UNT (União Nacional dos Trabalhadores, em construção na Venezuela), "um plano para renovar a frota de veículos utilizados nos transportes coletivos geraria 35 mil novos empregos no setor".


O fracasso da política reformista


O "Plano Venezuela Móvil" foi um dos projetos carro-chefe dos reformistas no governo Chávez e propagandeava a idéia de que a economia mista com um certo nível de intervenção federal era a alternativa. Buscaram a colaboração com os capitalistas privados para tentar reativar a economia, criar empregos, etc., porém está claro que fracassaram. É o momento de avançar até a nacionalização de toda a indústria automobilística e que ela seja dirigida sob controle democrático dos trabalhadores para produzirem automóveis ao mercado e também para resolver os sérios problemas dos transportes públicos que vive o país. O que se aplica para a indústria automobilística se pode também aplicar para o resto dos setores de propriedade privada da economia venezuelana.


O presidente Chávez, na Segunda-Feira, lançou um apelo para que os trabalhadores ocupassem as empresas que tinham problemas para pagar os salários e demais direitos. Os trabalhadores da Vivex atenderam a esse apelo. Durante meses os trabalhadores da indústria têm organizado assembléias nacionais para coordenar suas ações, inclusive uma reunião importante de 600 trabalhadores em junho do ano passado, na qual falou Alan Woods da Corrente Marxista Internacional, entre outros oradores. Alan Woods insistiu no papel da iniciativa dos trabalhadores na luta pelo socialismo. "Aqui na Venezuela, muitas pessoas olham para cima esperando que o presidente Chávez resolva seus problemas... é o povo e os trabalhadores que devem impulsionar, desde as bases, a revolução para frente, com a tomada e ocupação das fábricas para expropriar os capitalistas".


Agora, os trabalhadores da Vivex deram o primeiro passo, obrigados pelas provocações dos empresários. Para que sua luta tenha êxito, necessita estender-se para outras empresas automobilísticas, onde já estão maduras as condições. Os trabalhadores também devem enquadrar seu conflito, como fazem corretamente, não simplesmente como um conflito por salários e condições de trabalho, que também são, mas também como parte da luta entre a revolução e a contra-revolução. Deste modo podem obter o apoio de toda a população, além do apoio da classe operária em geral.


O governo nacional deve intervir de um modo audaz e nacionalizar a empresa sob controle dos trabalhadores. O presidente Chávez iniciou uma campanha para reformar a constituição para que ele possa concorrer de novo ao cargo. Esta é outra batalha importante, porém não se pode ganhar nada sem um movimento decisivo até o socialismo.


Enviar mensagens de solidariedade aos trabalhadores da Vivex para:

Freteco: frentecontrolobrero@gmail.com

Sindicato Nueva Generación, MMC: sindicatonuevageneracion@gmail.com

Trabalhadores da Flaskô, da Vila Operária e do MTST unidos!

Prefeito Bacchin tem que atender o povo: moradia, água, regularização e emprego, já!


A ocupação Zumbi dos Palmares do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) no Jd. Denadai em Sumaré/SP sofreu reintegração de posse, ontem (11/12).


O governo municipal de José Antônio Bacchin (PT) se recusou a desapropriar a área para fins de moradia popular - sendo que o terreno estava abandonado há mais de 20 anos - e apoiou o despejo, realizado com tratores e força policial.


Além disso, o diretor de Habitação da Prefeitura, Sr Sebastião, como se fosse coronel da PM, continua ameaçando o MTST, afirmando que não aceita ocupações, passeatas e mobilizações! Um absurdo! O papel da Secretaria de Habitação é construir casas populares e não de expulsar o povo e tentar impedir sua organização.


Agora, milhares de famílias terão que voltar a morar de aluguel ou de favor e centenas estão desabrigadas!


A única coisa que a Prefeitura fez foi um cadastro que só serve para tentar enrolar o povo, pois não existe um programa de construção de casas populares capaz de atender as milhares de famílias necessitadas.


Mas, a luta continua, cerca de 100 pessoas que não tinham para onde ir, estão provisoriamente acampadas na Vila Operária e Popular (bairro construído pelos trabalhadores da fábrica e pelo povo no terreno que pertence à Flaskô).


O MTST, a Flaskô e a Vila Operária e Popular estão unidos para manter a luta por moradia em andamento. A unidade também fortalece as reivindicações por emprego, por rede de água e esgoto, regularização do bairro e serviços públicos para todos.


Afinal, não é de hoje que o prefeito Bacchin tem prometido ajudar a salvar os empregos na Flaskô. Também não é de hoje que o prefeito Bacchin tem prometido infra-estrutura para a Vila Operária e Popular.


A isso se soma a geral falta de água na cidade. Todos os bairros populares do município estão sofrendo com o desabastecimento. Há lugares que não sai água das torneiras faz uma semana!


Uma pauta unificada e os próximos passos da luta serão debatidos no Encontro Operário e Popular que ocorre neste sábado, dia 13/12, a partir das 9h, na Flaskô. E todos estão convidados a se somar conosco nessa luta!

Ocupação de fábrica nos EUA

escrito por David May (Socialist Appeal - Corrente Marxista Internacional/EUA)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008


Na sexta-feira, uns 300 trabalhadores da fábrica Republic Window & Door de Chicago ocuparam a planta da fábrica exigindo o pagamento dos salários atrasados e indenizações que deve a empresa. Pela primeira vez desde o nascimento da federação sindical CIO nos anos trinta, os trabalhadores norte-americanos ocupam seu centro de trabalho.


Quando os empresários pressionam para impor o ônus da crise da economia sobre os ombros dos trabalhadores, a luta de classes retoma nos EUA. Os majoritariamente 300 militantes latinos do United Electrical Workers (UE) começaram a ocupação antes que os empresários fechassem a fábrica. A empresa avisou aos trabalhadores do fechamento com menos dos 60 dias necessários, violando as leis trabalhistas federais.


A empresa informou que seus lucros mensais tinham caído aproximadamente um 25 por cento, a 2,9 milhões de dólares. Mas a empresa continuava recebendo pedidos até o último dia previsto de funcionamento, assim, os trabalhadores duvidaram da necessidade que a empresa tinha de fechar suas portas.


A direção de Republic disse aos trabalhadores que era necessário fechar a

empresa para conseguir empréstimos de seu principal credor, o Bank of America. Os trabalhadores de UE organizaram um piquete em frente à sede do Banco em Chicago em 3 de dezembro. Apesar de que o banco e a direção de Republic pediram ao sindicato 1.110 do UE uma reunião para discutir as indenizações e outras questões, a reunião foi sabotada quando a empresa não se apresentou. Os trabalhadores responderam ocupando a fábrica.


O Bank of America era um dos bancos mais grandes que participou no gigantesco plano de resgate de 700.000 milhões de dólares aprovado pelos partidos Democrata e Republicano no Congresso no passado mês de outubro - que também foi apoiado tanto por Barack Obama como por John McCain. Apesar de conseguir bilhões dos contribuintes - trabalhadores em sua maioria - os banqueiros negam-se a utilizar o dinheiro público para outra coisa que não seja o lucro privado. Essa é a penosa realidade do capitalismo!


A outra cara desta realidade é que não se podem conseguir concessões significativas dos empresários, inclusive algo tão básico como uma indenização salarial, exceto mediante a luta de classes. Deveríamos perguntar que se o Bank of America está "a resgatar" com dinheiro público, por que não é de propriedade pública? Se Republic acede à ajuda pública, este dinheiro deveria ser utilizado para manter aberta a fábrica e os empregos dos trabalhadores.


Se não há margem para que os empresários continuem fazendo lucros, então a fábrica deve ser de propriedade pública e sob o controle democrático dos trabalhadores, sem nenhum tipo de compensação para os empresários e eliminando o motor que supõe o lucro. Enquanto a única maneira em que os trabalhadores podem receber a indenização e o dinheiro que lhes devem é mantendo a ocupação até que a administração e o Bank of America cedam.


Esta ocupação da fábrica é um exemplo para milhões de trabalhadores de todo EUA que se enfrentam a um aumento em massa das demissões, fechamentos de empresa, diminuições salariais e de benefícios. Já se organizaram assembléias de solidariedade na zona de Chicago. As federações sindicais AFL-CIO e Change to Win deveriam mobilizar o movimento operário de todo o país em apoio aos trabalhadores de Republic.


Uma ofensa a um é uma ofensa para todos!


A Workers International League se solidariza com o sindicato 1.110 do UE.

Pedimos a nossos leitores e seguidores que enviem mensagens de solidariedade, pedimos que nossos sindicatos aprovem resoluções e organizem atos de solidariedade.


Podem-se enviar mensagens de solidariedade ao Local 1.110 do UE ao seguinte endereço:

leahfried@gmail.com


Veja mais em:

A IMPA é dos Trabalhadores e do Povo!

Publicamos a tradução da declaração que foi difundida pelo Movimento Nacional de Empresas Recuperadas (MNER) a todo o movimento operário na Argentina e em outros países, após a votação pela expropriação da IMPA pela Câmara de Buenos Aires.

Na quinta-feira, 04 de Dezembro de 2008, os trabalhadores do MNER (Movimento Nacional de Empresas Recuperadas) conseguiram que a Legislatura Portenha (de Buenos Aires – capital da Argentina) sancionasse a lei que declara os imóveis da fábrica recuperada IMPA como de utilidade pública e sujeitos a expropriação.


Os dez anos de luta, a história da Impa, a justeza da reivindicação e a compreensão de que não havia outro caminho para resolver o conflito sem violência - já que sabiam de nossa decisão de resistir com nossas vidas a qualquer tentativa de despejo -, se viram refletidos no voto afirmativo dos 51 legisladores da cidade que estavam presentes.


A IMPA é uma das primeiras empresas recuperadas da Argentina. Dela surgiu um método de luta diferente que permitiu conservar e criar milhares de postos de trabalho ao mesmo tempo em que deu origem ao Movimento Nacional de Empresas Recuperadas da Argentina.


Nada disso seria possível sem a solidariedade e a luta dos diferentes movimentos sociais nacionais e internacionais, os militantes, as assembléias de bairro, os vizinhos, os educadores, a gente da arte, os militantes do Partido Obrero, do C.C.C. e os milhares de "simples cidadãos" que alguma vez se aproximaram da IMPA para dar uma mão.


Agradecemos especialmente aos trabalhadores da UST (União Solidária de Trabalhadores) por sua ação no dia mais duro, o da repressão; aos colegas do C.E.I.P., educadores e estudantes dos cursos secundários populares; ao colega Serge Goulart coordenador nacional das Fábricas Ocupadas do Brasil que esteve em cada momento difícil da Impa demonstrando a necessidade do internacionalismo dos trabalhadores.


Na IMPA, desde maio de 1998, seus 80 trabalhadores levam a sério o lema: OCUPAR-RESISTIR-PRODUZIR, enfrentando diariamente um mercado capitalista que propõe a concorrência desmedida, à que eles respondem com mais solidariedade, pois concebem que esta supera a concorrência.


Hoje, mais do que nunca, no contexto nacional e internacional que vivemos, a IMPA será exemplo aos milhares de trabalhadores que terão que ocupar as empresas e pô-las a produzir. Ao mesmo tempo, fazer todo o esforço para liquidar o sistema capitalista que nos oprime, para o quê não é suficiente tomar a fábrica e pô-la a produzir. São eles ou nós, não há meio termo.


A IMPA humildemente, enquanto uma empresa recuperada, hoje convoca nosso povo a perder a paciência e sair a lutar. Para isso precisamos que do povo saiam novos dirigentes para esta etapa. Não se concebe uma direção sindical como a atual, que peça ao povo para que pague os salários e o financiamento para as empresas privadas, enquanto deixam as unidades produtivas nas mãos dos capitalistas. Não se pode pedir que se forme um conselho econômico social com a burguesia e a oligarquia provincial representada pelos governadores, para ver como resolvemos a crise para os capitalistas.


Há que tomar as empresas que demitam um só trabalhador, há que expropriar a todos os monopólios formadores de preço para que sejam conduzidos pelo Estado e os trabalhadores, há que lutar pelas 6 horas diárias de trabalho sem redução dos salários, não há que pagar um tostão a mais de dívida externa, há que romper com o MERCOSUL das multinacionais e convocar à proposta de integração entre os povos na perspectiva da ALBA, proposta há vários anos pelo Parceiro Comandante Hugo Chávez.


Eles, os capitalistas, estão cambaleando e há que chegar ao nocaute e isso só é possível nas ruas. Há que convocar à greve com piquetes. Se não o fazemos, seremos cúmplices da próxima barbárie que nosso povo venha a viver.


A IMPA é dos trabalhadores!


Sua luta não se negocia nem se vende!


Marcelo Castillo (IMPA)

Eduardo Murua (MNER)

quarta-feira, dezembro 10

quinta-feira, novembro 27

MUSEU DA IMAGEM E DO SOM (O "MIS") EXIBE FILME DA FLASKÔ

Dia 06 de dezembro (sábado)

Sessão das 19h30m


“Flaskô - Fábrica Sob o Controle dos Trabalhadores”


Rafael Prata (TV COT), 2003, com 20 minutos de duração - A política econômica nas últimas décadas levou ao fechamento de muitas empresas, atraso de salários e demissões. A Cipla e a Interfibra (SC) e a FLASKÔ (Sumaré/SP) são exemplos disso. Só que nesses casos a resposta dos trabalhadores foi ocupar e controlar as fábricas, em defesa dos direitos e dos empregos.

Museu da Imagem e do Som - Palácio dos Azulejos
Rua Regente Feijó, 859 - Centro - Campinas - SP
(19) 3836 7851

quarta-feira, novembro 19

Campanha de Adesões à Luta dos Trabalhadores da Flaskô!

Nós, trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô, já recebemos milhares de mensagens de apoio à luta pela estatização sob controle operário, em defesa dos empregos, direitos e o parque fabril.

Publicamos abaixo, uma pequena lista de apoiadores, entidades e organizações que nos apóiam ou já nos ajudaram de alguma forma, no último período.

Envie você também uma mensagem para os trabalhadores da Flaskô! Seja um apoiador do Movimento das Fábricas Ocupadas!


Organizações, parlamentares e personalidades políticas

Corrente Marxista Internacional (CMI)

Esquerda Marxista

Corrente Marxista Revolucionária (CMR/Venezuela)

Partido Movimento Ao Socialismo (PMAS/Paraguai)

Partido Social Democrata da Áustria

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Senador da República Eduardo Suplicy (PT)

Francisco Toro, diretor da Petroquímica Venezuela (Pequiven)

Eduardo Samán, presidente da Indecu (Instituto Defesa do Consumidor – Venezuela)

José Antônio Bacchin, prefeito de Sumaré/SP

Lucíola Rodrigues Jaime, Superintendência Regional SP do Ministério do Trabalho

Deputado Estadual Raul Marcelo (PSOL)

Vereador Adílson Mariano (PT Joinville/SC)

Vereador Roque Ferreira (PT Bauru/SP)

Vereadora Marcela Moreira (PSOL/Campinas)

Vereador Paulo Búfalo (PSOL/Campinas)

Vereador Carlos Signorelli (PT/Campinas)

Vereador Ângelo Barreto (PT/Campinas)

Vereador Geraldo Medeiros (PT/Sumaré)

Vereador Niraldo (PCdoB/Sumaré)

Vereador Dito Lustosa (PCdoB/Sumaré)

Vereador Breno Cortella (PT/Araras)

Renato Simões - Diretório Nacional do PT

Valter Pomar - Diretório Nacional do PT

Edinho – presidente do PT SP

PT SC

PT Joinville/SC

PT Campinas/SP

PT Caieiras/SP

PT Sumaré/SP

PSOL SP

PSOL Campinas/SP

PCB Campinas/SP

Liga Estratégia Revolucionária (LER/QUI)


Entidades sindicais e movimentos operários:

FRETECO – Frente de Trabalhadores em Empresas em Co-gestão e Ocupadas da Venezuela

União Nacional dos Trabalhadores da Venezuela (UNT)

Movimento Nacional de Empresas Recuperadas da Argentina (MNER)

Comissão de Fábrica da IMPA (metalúrgica ocupada de Buenos Aires)

Hotel Bauen (Buenos Aires) - sob controle dos trabalhadores

Fábrica Ocupada Zanon - Argentina

ANTA (Associação Nacional de Trabalhadores em Autogestão/Argentina)

Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA)

Central Operária da Bolívia (COB)

Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia (FSTMB)

Central Sindical do Uruguai PIT-CNT

CUT Autêntica do Paraguai

Cerâmica Itagua, Cerro Guy e demais fábricas ocupadas do Paraguai

Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru

Joe Macharia, sindicalista do setor da construção civil do Quênia

Executiva Nacional da CUT

Confederação Nacional do Ramo Químico – CNQ/CUT

Federação Nacional dos Ferroviários – FNITST/CUT

CUT SP

CUT Campinas

CUT SC

CUT PE

Direção Nacional da Intersindical

Direção Nacional da Conlutas

Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas

Sindicato dos Químicos de Recife/PE

Sindicato dos Químicos Unificados Campinas – Osasco - Vinhedo

Sindicato dos Petroleiros de Campinas

Sindicato dos Trabalhadores nos Correios de Campinas (SINTECT-CAS)

Sindicato da Construção Civil de Campinas

Sindicato dos Pesquisadores de Campinas (SindPq)

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Campinas (STMC)

Sindicato dos Trabalhadores da UNICAMP (STU)

Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP)

Sindicato dos Sapateiros de Franca

Sindicato dos Ferroviários de Bauru

Sindicato dos Vidreiros de SP

Sindicatos dos Servidores Municipais de Florianópolis/SC (Sintrasem)

Sindicato dos Metalúrgicos de Garuva e Itapoá/SC

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Movimentos Sociais

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)

Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD)

Movimento Terra e Liberdade (MTL)

União Nacional dos Estudantes (UNE)

Vila Operária e Popular

Associação de Moradores do Parque Bandeirantes

Brigadas Populares - MG

Ocupação Reitoria da USP

União Paranaense dos Estudantes

DCE UNICAMP

DCE PUC Campinas

DCE Universidade Federal de Uberlândia

DCE Universidade Federal de MG

CACH – UNICAMP

Movimento Estudantil da UNESP-FATEC

Juventude Revolução (JR)

Movimento Negro Socialista (MNS)

Grupo de Estudos de Direito Crítico (GEDIC) - PUC/Campinas

Coletivo “Universidade Popular” da UNICAMP

Pesquisadores do Movimento das Fábricas Ocupadas: Felipe Raslan (Mestrado IFCH UNICAMP), Paulo Carioca (doutorando Ciências Sociais UFRJ), Sammer Sam (Economia UFSJ), Josiane Lombardi Verago (Doutoranda Ciências Sociais USP), Bia (Psicologia USP), Gracielli Prata (Ciências Sociais UNESP-Araraquara)....


Grupos artísticos e culturais

Grupo de Rap A Família

Banda Somo Black

Banda Invasão Rasta

Espaço Cultural Dolores/SP

quinta-feira, novembro 13

GRANDE ENCONTRO DA FLASKÔ - NENHUMA DEMISSÃO! DESEMPREGO ZERO! ESTATIZAÇÃO SOB CONTROLE DOS TRABALHADORES!

Participe! Click na Imagem para ampliá-la! Imprima, ajude-nos a divulgar!
Tel: (19) 8164 1971 - (19) 3864 2624
Ajude a Luta pela manutenção de nossos postos de trabalho!
Venha ao nosso "Encontro Operário Popular"
13 de Dezambro de 2008

sexta-feira, outubro 24

VITÓRIA! Trabalhadores da Flaskô e Apoiadores conseguem religar a energia elétrica!

A reunião convocada pela Superintendência do Ministério do Trabalho, a pedido dos trabalhadores da Flaskô, terminou com o compromisso da CPFL em religar a energia elétrica nesta sexta-feira (24/10). O corte havia sido feito há uma semana, sem aviso-prévio e rompendo as negociações entre as partes, que estava se desenvolvendo com a intermediação da própria Superintendência. Mas, após a pressão dos trabalhadores e apoiadores da fábrica ocupada Flaskô - inclusive com realização de ato público em frente à CPFL, e com a campanha de moções de repúdio contra o ocorrido - a companhia foi obrigada a voltar atrás e, além de restabelecer o fornecimento de energia elétrica, retomou as negociações exatamente de onde elas pararam.

Resultados

Assim, os prazos para pagamento das contas mensais foram restabelecidos, sem a ameaça de corte imediato por parte da CPFL. Além disso, o pagamento das parcelas das dívidas deixadas como herança maldita dos patrões sobre os trabalhadores fica suspenso até nova reunião, dia 27/11. A proposta dos trabalhadores é pagar esses débitos utilizando créditos de ICMS. A documentação exigida para isso é complexa, mas a comissão de fábrica já está se esforçando para conseguir.

Caso não seja possível quitar os débitos dessa forma, os trabalhadores propõem que 1% do faturamento mensal da fábrica seja destinado ao pagamento dessas dívidas.

Além disso, esgotadas as possibilidades de acordo, a CPFL somente poderá interromper o fornecimento de energia elétrica com aviso-prévio de 15 dias.

Continuar a luta

É claro que esse acordo não resolve todos os problemas da fábrica ocupada, mas diminui os riscos de corte de luz, além de significar uma grande vitória da mobilização unitária dos trabalhadores e aliados da Flaskô.

Para que a situação comece a ser resolvida, de fato, é necessário que o governo Lula retome as discussões com o Movimento das Fábricas Ocupadas, no sentido de estatizar a Flaskô sob controle operário e retirar a intervenção federal na Cipla e Interfibra, estatizando-as também sob controle dos trabalhadores.

Dessa maneira será possível manter os empregos, recuperar os direitos e o parque fabril e organizar democraticamente a produção para atender os interesses dos trabalhadores e do povo.

Agradecimento

Os trabalhadores da Flaskô agradecem ao apoio recebido nesse momento difícil, mas que foi crucial para manter a fábrica aberta, sob controle operário e em luta pela estatização e o socialismo!

Conselho de Fábrica da Flaskô

Trabalhadores e apoiadores da Fábrica Ocupada Flaskô intimam a CPFL em ato público

Cerca de 50 trabalhadores e apoiadores da Fábrica Ocupada Flaskô realizaram nesta quarta-feira (22/10) um ato público em frente à Companhia Paulista de Força de Luz (CPFL) para protestar pela retomada imediata do fornecimento de energia elétrica e pela retomada da negociação (de onde ela parou).

Na segunda-feira (20/10), uma comissão da fábrica foi até a CPFL para conversar, mas a companhia não recebeu os trabalhadores, não confirmou o motivo do corte e nem sequer aceitou protocolar os documentos que a comissão levou. Um funcionário disse que tinha ordens para não receber nada e nem ninguém da Flaskô.

Diante dessa intransigência, no dia seguinte, a comissão procurou a Superintendência do Ministério do Trabalho (DRT/SP), que estava mediando as negociações, para relatar o ocorrido. A DRT resolveu, então, intimar a CPFL a comparecer, em 48 horas, numa nova audiência. O prazo se esgota nesta quinta (23/10), às 14h.

Assim, o ato público marcou a entrega dessa intimação para a CPFL e expressou a resistência e os sentimentos dos trabalhadores e aliados do Movimento das Fábricas Ocupadas.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Sindicato dos Químicos de Campinas, mandato do vereador Paulo Búfalo (PSOL/Campinas), estudantes da UNICAMP e Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH - UNICAMP), Associação de Moradores do Parque Bandeirantes, além de uma delegação de militantes da Esquerda Marxista de SP e Campinas compareceram à manifestação.


CPFL passa ridículo

A intransigência da CPFL beira o ridículo. Ao saber da manifestação, preparou um esquema de segurança para impedir a entrada dos trabalhadores na sala da recepção e passou correntes e cadeado no portão do estacionamento.

Foi preciso conversar com o responsável para permitir que os trabalhadores tomassem água e utilizassem o banheiro da recepção, mesmo assim, a entrada só foi permitida para uma pessoa por vez.

Porém, a humilhação também envergonha quem humilha e os trabalhadores souberam minar a truculência da CPFL com sarcasmo e bom humor. Um dos seguranças ganhou até um apelido... Brincadeiras à parte, com certeza, o tratamento dado aos empresários e banqueiros da região é bem diferente deste, destinado ao povo pobre e trabalhador.


Depoimento marcante

A companheira Carla é esposa do companheiro Tiago, trabalhador da fábrica, e o casal tem uma filha de 6 meses de idade e mora na Vila Operária e Popular, bairro construído pelo povo no terreno que pertence à Flaskô.

Um funcionário da CPFL comentou que estava com dó dela e do bebê pelo sol forte que fazia no momento do ato público. A companheira agradeceu a preocupação, mas pegou o microfone e disparou: "a CPFL tinha que ter dó antes de cortar a energia dos trabalhadores. Eu moro nos fundos da fábrica e uso a mesma luz na minha casa. Como pode uma mãe de família, com um bebê para cuidar, viver no escuro? Tinha comida na minha geladeira que tive que jogar fora porque estragou"!

Além deste, vários outros depoimentos relataram o susto, o perigo, o descaso e o prejuízo causados pelo corte de energia elétrica.


A bola está com o governo

Com a reunião marcada pela DRT/SP, a questão está nas mãos do governo Lula, pois o órgão pertence ao Ministério do Trabalho. Os trabalhadores lutam para dobrar a intransigência da CPFL, mas se o governo não fizer nada na audiência ou for conivente com a empresa, a fábrica ocupada Flaskô poderá ser levada ao fechamento, já que sem energia elétrica não dá para produzir e, sem produzir, não dá para pagar os salários e manter os empregos.

Por isso, em mais um esforço heróico, os trabalhadores da Flaskô convocam, em regime de urgência, um ato na DRT/SP, nesta quinta-feira (23/10), às 14h (Rua Martins Fontes, esquina com a Av Consolação).